Neste novo trabalho de Ridley Scott, Denzel Washington brilha no papel do bandido que ampliou o significado do termo gângster. Alternando a fina estampa e os modos educados com a selvageria necessária ao negócio, Denzel esbanja o seu habitual carisma em cada um dos aspectos da multifacetada personalidade do primeiro gângster genuinamente americano. Russell Crowe, que interpreta o policial honesto que o persegue incansavelmente ao longo do filme, parece pouco à vontade no papel de mocinho.
Tendo uma boa trama e um cineasta experiente e talentoso como Scott na direção, já era de se esperar que o resultado fosse um bom filme. Ainda assim, apesar de todos os seus pontos positivos, O Gângster acaba sendo mais um longa sobre o assunto. E não traz nada de tão novo assim ao gênero, mesmo com todas as particularidades da biografia de Frank Lucas. Claro que é um filme bem-feito e que agrada ao espectador, mas a impressão que tenho é a de que, daqui a um tempo, não reterei muito dele na memória.
E por último, mas não menos importante, agora que vi o filme posso dizer: a premiação do sindicato dos atores para Ruby Dee como melhor atriz coadjuvante é absurda. Cheira a protecionismo, homenagem, ou seja qual for o nome que se dá a isso. A atriz não é, nem de longe, páreo para Cate Blanchett. Vamos torcer para que o oba-oba não se repita no Oscar.





