Último do Ano

09:28 31/12
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E eis que chegamos ao final de 2007! Para os internautas que não acompanham o blog desde sua criação, um pequeno retrospecto: o blog do Adoro Cinema foi criado originalmente com o objetivo de agilizar a cobertura do último Festival do Rio. Com o fim do evento (e a boa receptividade de vocês), foi mantido como um espaço aberto para comentar filmes, notícias, frases, situações, enfim, para abrigar tudo que não cabia no formato limitado das colunas.

E a experiência tem sido muito legal, justamente pela possibilidade de receber um retorno imediato dos leitores. Elogios, sugestões, concordâncias, discordâncias, puxões de orelha, perguntas, desabafos, tudo é sempre bem-vindo (tirando os insultos e ameaças de morte, é claro). Os pontos de vista mostrados nem sempre são de acordo com os da maioria, como pode ser visto na enxurrada de opiniões contrárias postadas sobre o filme P.S. Eu Te Amo. Totalmente válidas. As críticas aqui escritas expressam a opinião do colunista, que não pretende ser a única nem a melhor. E o debate saudável é um dos objetivos do blog.

O ano que termina foi bom também para o cinema nacional. Pelo menos três filmes excepcionais passaram por nossas telonas: Tropa de Elite, O Cheiro do Ralo e Batismo de Sangue. Além desta trinca, vale ressaltar o irreverente Saneamento Básico, O Filme, o belo Não Por Acaso, o divertido Podecrer!, o contundente Querô e o lírico A Via Láctea. E tudo indica que em 2008 o cinema brasileiro continuará dando o que falar, já que na próxima sexta estréia o aguardado Meu Nome não é Johnny (crítica do filme no Adoro Cinema).

No mais, escrevo este último post de 2007 satisfeita com o que já foi construído e ansiosa pelo que está por vir no próximo ano. Deixo os cumprimentos também em nome do Francisco Russo, que está viajando, mas logo estará de volta. E continuem participando. Sempre.

Bom Ano-Novo e até 2008!!!

| Categoria: Adoro Cinema, Geral

Brasil em Berlim

09:32 27/12
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O Festival de Berlim 2008, que acontecerá entre 7 e 17 de fevereiro e tem Tropa de Elite como um dos competidores oficiais, acaba de ganhar mais um representante brasileiro. Trata-se de Maré, Nossa História de Amor, de Lúcia Murat, que será exibido na mostra Panorama. Vale lembrar que os filmes exibidos nesta mostra não concorrem aos prêmios oficiais, apenas ao prêmio do público.

Maré, Nossa História de Amor, a exemplo do clássico Amor, Sublime Amor, é uma versão contemporânea e musical da história de Romeu e Julieta e tem como cenário a Favela da Maré, dividida pela disputa entre duas facções criminosas. No meio da guerra urbana, Analídia e Jonatha se conhecem num grupo de dança da comunidade e desafiam o apartheid imposto pelo tráfico ao se apaixonarem.

O filme, inédito em circuito, foi exibido no Festival do Rio 2007.

Ficha de Maré, Nossa História de Amor no Adoro Cinema

| Categoria: Festivais e Premiações

O Nome Dele Não é Johnny 2

09:36 26/12
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“Quando eu tô de férias, eu fico vagabundo. E como eu não quero desfilar na São Paulo Fashion Week, eu fico gordinho mesmo e depois corro atrás do prejuízo. Como o que eu quero, tomo o chopinho e tá tudo bem.”


(Selton Mello responde com incrível bom humor à provocação de que ele estaria acima do peso)

| Categoria: Cinema Brasileiro, Frases

Moderação

09:33 26/12
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Algumas pessoas vêem com desconfiança o fato das mensagens dos internautas serem moderadas pela equipe do site. Mas basta dar uma olhada pelos comentários deixados desde a criação do blog para entender que opiniões discordantes são não apenas toleradas como bem-vindas. O objetivo de um blog é o debate mesmo, para expor unilateralmente nossa opinião já existem as colunas. Todos os comentários que dizem respeito a cinema são aprovados, mas é óbvio que isso não inclui xingamentos e/ou ofensas, spams e coisas do gênero.
| Categoria: Adoro Cinema

O Nome Dele Não é Johnny

09:37 22/12
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Coletiva de imprensa do aguardado Meu Nome não é Johnny. Segundo informações da assessoria, deveriam estar presentes os astros Selton Mello e Cleo Pires, o diretor Mauro Lima e a produtora Mariza Leão, além, é claro, de João Guilherme Estrella – o próprio Johhny. Chegando lá, começam as baixas: a produtora e o diretor tiveram contratempos de última hora e não puderam comparecer. Algum tempo depois, somos informados de que Cleo Pires (que estava presente no local, sendo entrevistada e fotografada) também não poderia ficar para a coletiva. Das cinco pessoas anunciadas, restavam duas. A boa surpresa é que as duas que ficaram foram responsáveis por um excelente papo. João Estrella, biografado do filme, é uma figura muito simpática e que fala com bastante sinceridade sobre seu passado de sexo, drogas e rock’n’roll. E Selton Mello, além de ser um grandes atores do Brasil, é uma dessas raras pessoas que aliam conhecimento profundo de seu ofício com uma irreverência cativante. Mesmo com visível cansaço físico (tinha chegado de viagem e dali seguia direto para a pré-estréia), o ator se mostrou tão descontraído como o vemos no seu programa Tarja Preta. Seguem dois exemplos:

“Meu primeiro grande personagem no cinema foi no filme Guerra de Canudos. Porque nos primeiros filmes que eu fazia, eu sempre morria no início. Era um trauma que eu tinha, eu nunca passava dos dez minutos. Então, meu sonho era chegar até o final de um filme. No Guerra de Canudos eu morri, mas morri no fim. Fiquei uma hora e meia em cena.”

(Selton explica o carinho que tem por Mariza Leão, produtora de Meu Nome Não é Johnny e Guerra de Canudos)

“Tô acordadíssimo, hein, cara? Dormi cedo, tô pensando bem…”

(Espantado com a própria lucidez após dar uma resposta mais elaborada)

Em tempo: Meu Nome Não é Johnny estréia no dia 4 de janeiro. Aguardem mais comentários aqui no site.

| Categoria: Cinema Brasileiro, Geral

P.S. Eu Te Amo

09:38 21/12
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Holly Kennedy é casada com o amor de sua vida: Gerry, um irlandês engraçado, intenso e impetuoso. Quando ele morre aos 35 anos, devido a um tumor cerebral, Holly mergulha numa forte depressão. Até que, no dia de seu aniversário de 30 anos, ela recebe um bolo acompanhado de uma fita que Gerry gravou antes de morrer. Nela, ele exige que ela saia para se divertir e adverte que enviará periodicamente cartas com instruções que ela deve seguir sem hesitar. A partir daí, Holly passa a receber cartas onde Gerry a incentiva a tomar novos rumos na vida, viver aventuras e se redescobrir. Em comum, o fato de todas as mensagens terminarem com “P.S. Eu Te Amo”.

Confesso que já fui munida de uma certa má-vontade porque um filme com um título ridículo desses já é motivo para me deixar ressabiada – e nem adianta culpar os distribuidores, porque a tradução do original é literal. Mas às vezes as aparências enganam e, sinceramente, eu torcia para isso. Infelizmente, a primeira impressão foi a que vingou. P.S. Eu Te Amo é bastante problemático e confuso em suas intenções: tenta fazer graça e ser profundo emocionalmente e fracassa em ambos os caminhos. O roteiro parece um daqueles exercícios de curso de inglês, de “preencha as lacunas”, como se seguisse uma lista pré-determinada de situações que costumam acontecer em filmes românticos. Não há um desenvolvimento psicológico dos personagens. Num momento, Holly está arrasada, sem querer tomar banho nem falar com ninguém. Aí o marido morto diz numa fita que ela precisa se divertir no seu aniversário e dali a pouco ela já está bebendo todas e requebrando numa boate gay. Quem faria uma coisa dessas, considerando que seu desespero fosse genuíno?

Mas a pouca plausibilidade não é o único defeito do filme, que se alonga nas tais cartas que parecem nunca terminar de chegar. De novo, a sensação incômoda de que o roteiro está cumprindo etapas e seguindo fórmulas manjadíssimas. Enquanto isso, a protagonista vai fazendo tudo que o defunto manda: pagar mico no karaokê, viajar, comprar roupa nova. Peraí, é um filme ou uma gincana? Ao redor da viúva sonâmbula, completam o time os tipos mais estereotipados: a sogra que implica com o genro até depois de morto; a amiga que diz que gosta de usar os homens, mas está doida para casar; o cara atrapalhado e rude que, no fundo, é gente boa… e por aí vai.

Hilary Swank, grande atriz e dona de dois Oscars, tem que administrar melhor sua carreira. Não bastasse ter trabalhado em A Colheita do Mal – um dos piores filmes do ano -, ainda completa a dose com este aqui que, se não chega a ser um desastre tão grande, obviamente está muito aquém do calibre de uma atriz talentosa como ela. Detalhe: o diretor Richard LaGravanese e Hilary haviam acabado de trabalhar juntos no inédito por aqui Escritores da Liberdade – outro que parece ter sido um fiasco. Por que ela insiste nessa parceria? Gerard Butler, ainda colhendo os louros do rei Leônidas de 300, é outro que podia ter dispensado esse cachê, apesar do papel de irlandês falastrão e incrivelmente charmoso ter lhe caído como uma luva – Butler é, na verdade, escocês. Resumindo: atores bem escalados e belas paisagens irlandesas é o que podemos apontar de positivo em P.S. Eu Te Amo. E isso é muito pouco para que um filme funcione.

Estréia aqui dia 4 de janeiro.

| Categoria: Críticas

Frase do Dia

09:39 20/12
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“Graças a Deus a indústria cinematográfica é maluca. São todos um bando de
sociopatas.”


(Tim Burton explicando como conseguiu realizar o sangrento musical Sweeney Todd sem concessões)

| Categoria: Frases

Império dos Sonhos

09:40 17/12
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Uma história de mistério. No coração deste mistério, uma mulher apaixonada e completamente atormentada.

As enigmáticas palavras acima foram a primeira sinopse divulgada, por ocasião do Festival do Rio, de Império dos Sonhos. Chamava a atenção o fato de usarem duas frases para descrever um filme de quase três horas. Após assistir a essa nova viagem de David Lynch, dá para entender o porquê.

Imaginem a seguinte abertura: chuviscos vindos de uma televisão fora de sintonia, numa alusão ao começo de Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer. Logo a seguir, uma mulher chorando (alusão ao Llorando de Cidade dos Sonhos?) assiste a uma esquisitíssima sitcom protagonizada por pessoas vestidas de coelhos que dizem frases dramáticas e desconexas enquanto uma claque ri descontroladamente. Aliás, essa sitcom bizarra é, na verdade, um curta chamado Rabbits (disponível na internet) que originalmente deveria preceder o filme.

Quando a personagem de Laura Dern entra em cena, parece que as coisas começarão a fazer sentido. E fazem… Por cerca de vinte minutos. Laura é a atriz Nikki Grace, que descobre que o filme que está prestes a rodar é, na verdade, remake de uma produção inacabada considerada maldita porque os protagonistas foram assassinados. A partir daí, à medida que o filme avança, a fronteira entre realidade, ficção e puro delírio será cada vez mais tênue.

Certamente não foi por acaso que David Lynch tocou no tema do remake. Ao longo dos tortuosos 172 minutos de Império dos Sonhos, tem-se a impressão de estar visitando a obra do cineasta. De uma maneira perversamente cubista, é claro. Personagens de filmes anteriores reaparecem, situações soam familiares, diálogos são reinventados. Tudo se aproveita, nada se encaixa. O espectador não sabe quando a atriz está dentro do filme. Nem ela mesma sabe. A iluminação no começo tem luz saturada, depois passa a ser avermelhada e escura. Os closes, dignos do bom surrealismo alemão, deformam o rosto dos atores. O estilo do filme e das interpretações passeia pelos gêneros cinematográficos: começa pelo artificialismo dos seriados antigos, flerta com o noir, bebe na fonte do dramalhão mexicano e usa música de terror. Às vezes, um de cada vez; outras vezes, tudo ao mesmo tempo.

É cansativo. Vamos ser francos. Depois de uns quarenta minutos, comecei a ouvir ocasionalmente os barulhos de assentos voltando à posição normal. Várias pessoas, em especial as mais idosas, abandonaram a sala de projeção. Um casal sai resmungando ruidosamente. Eu me mexia, muitas vezes derivava para pensar em outros assuntos, brigava com o cansaço. O próprio David Lynch declarou que inicialmente não sabia se Império dos Sonhos chegaria a se converter num filme.

Ele teve algumas idéias e resolveu filmá-las em digital, sem compromisso de que as cenas tivessem alguma seqüência ou ligação. O ponto de partida de tudo foi uma conversa que teve com Laura Dern, quando ela disse que seu marido era de Inland Empire (título original do longa) e o cineasta gostou do som da expressão. Aliás, uma cena interessante é quando a personagem de Dern vai num talk show comandado por uma perua inconveniente interpretada por Diane Ladd – sua mãe na vida real.

É claro que a obra de Lynch sempre foi marcada pelo bizarro, mas havia um forte sentido em todos os seus filmes anteriores. O polêmico Cidade dos Sonhos pode ser aberto a diversas interpretações, mas está longe de ser aleatório. Fica claro a interligação entre as duas metades do longa. Em Império dos Sonhos, o surrealismo predomina, tornando-o um filme hermético e no qual é muito difícil concentrar a atenção. Um exercício de paciência.

Ficha de Império dos Sonhos no Adoro Cinema

| Categoria: Críticas

Simplicidade Impressionante

09:41 15/12
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“Já tinham me chamado para fazer outros papéis no exterior sim. Pequenas
participações, é claro. Ué, por quê? Porque lá fora é diferente.”


(da diva Fernanda Montenegro, falando a Jô Soares sobre sua participação na produção internacional O Amor nos Tempos do Cólera)

| Categoria: Frases

Globo de Ouro – As Atrizes

09:43 14/12
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O Globo de Ouro acaba sendo uma pré-lista do Oscar, já que sua divisão em categorias distintas permite o dobro de indicações. Muitas vezes, nenhuma das atrizes indicadas na categoria musical ou comédia migra para o Oscar (por isso, muita gente considera a indicação por drama mais garantida). Pode ser, mas eu tenho minhas dúvidas.

Dentre as atrizes dramáticas, sinto no ar uma boa chance para Angelina Jolie. A moça é engajada, bonita e boa atriz, ou seja, uma figura altamente premiável. Só faltava um papel de peso, que ligasse sua imagem da vida real à sua imagem nas telas. Já Cate Blanchett concorre como coadjuvante também e, nesses casos, há uma tendência a levar o segundo. Mesmo porque sua performance como uma das facetas de Bob Dylan em I’m Not There é de cair o queixo. Jodie Foster – além de já ter sido muito premiada – concorre por um filme mediano. Julie Christie é outra que tem contra si o fato de seu filme não ser muito conhecido. Keira Knightley… Essa tem que dar pulinhos pela indicação, que já tá bom demais.

Na categoria musical ou comédia, a inclusão da impressionante Marion Cotillard dificulta a vida de suas concorrentes. Seu trabalho é mais que atuação, é incorporação. Do mesmo nível de Philip Seymour Hoffman como Truman Capote ou Jamie Foxx como Ray Charles. Mas, cá entre nós, Piaf estar aqui é absurdo. É como comentei no post anterior, não importa se a vida de Edith Piaf foi uma das mais trágicas do showbiz. Biografia de cantora… O filme é um musical. Mas caso a HFPA prefira premiar uma atriz que fale inglês, é uma boa hora para prestigiar a sempre ótima Helena Bonham Carter, já que Amy Adams e Nikki Blonsky (apesar de ótimas) se encaixam naquele perfil de atrizes em que a indicação já é prêmio e Ellen Page é outra que concorre por um filme de pouco peso.

Entre as coadjuvantes, não vejo ninguém que possa atrapalhar a vitória de Cate Blanchett. Cravo meu palpite nela sem dúvida nenhuma.

| Categoria: Festivais e Premiações