Compreendendo Woody Allen

15:12 31/10
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O documentário “Woody Allen in Concert – Wild Man Blues†acompanha a turnê de Woody Allen e sua banda por diversas cidades européias, em 1996. Além de várias tiradas inspiradas e a possibilidade de acompanhar um pouco de como é Allen em seu cotidiano, o filme traz uma declaração do próprio Allen que explica bastante sobre sua filmografia.

Em determinado momento um jornalista pergunta ao diretor o porquê de seus filmes fazerem tanto sucesso na Europa e tão pouco sucesso nos Estados Unidos. Lembrem-se, estamos em 1996, seu filme mais recente é Poderosa Afrodite. É quando Allen responde da seguinte forma:


“Spielberg e Scorsese dizem que fazem hoje os filmes que amavam assistir quando crianças. Eu também sou assim. Só que na época os filmes que assistia eram todos estrangeiros.â€

| Categoria: Diretores, Frases

A era Craig

11:13 31/10
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Leia: Daniel Craig em mais 4 filmes como James Bond

Não estou entre os que apóiam a escolha de Daniel Craig como James Bond. Nem tanto pelo tipo físico, mas pela ausência de carisma. O personagem exige uma certa dose de charme, de classe, algo que sobrava em Sean Connery, Roger Moore e, vá lá, Pierce Brosnan. Para piorar Craig teve seu James Bond brutalizado, de forma que qualquer brucutu musculoso pudesse interpretá-lo. O que piorou sua situação, já que Craig – que é bom ator, vide Amor para Sempre – teve pouco espaço para realmente atuar. Mais parecia um robô correndo de um lado para o outro, seguindo as ordens dos responsáveis pelas cenas de ação. Isso qualquer herói de filme de ação faz, de James Bond se espera mais.

Porém 007 – Cassino Royale foi um baita sucesso e, com isso, era mais do que natural que Craig seguisse em frente com o personagem. Caso complete os 4 filmes do recente acordo ele já ultrapassará Pierce Brosnan, com 5 filmes na série, ficando apenas atrás de Sean Connery (6 filmes) e Roger Moore (7 filmes).

| Categoria: Atores e Atrizes

Frase do Dia

15:16 29/10
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“Milagre que ninguém viu o Vaticano não aceita.â€


(João, personagem de Dudu Azevedo em Podecrer, desconfiando das histórias de um amigo sobre as garotas com quem namorou)

| Categoria: Frases

Maratona no Feriadão

10:12 29/10
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Sexta-feira é dia de finados, mas também de Maratona Odeon. O evento esse mês traz a pré-estréia do novo longa de Eduardo Coutinho, Jogo de Cena, além de dois programas do festival Curta Cinema (um deles inclui o genial Tarantino’s Mind). Confiram abaixo a programação completa e o link para os comentários sobre Jogo de Cena, já analisado aqui no blog por ocasião de sua première no Festival do Rio:

23h – abertura do cinema
23h20 – Jogo de Cena (pré-estréia)
2h15 – Curta Cinema (Programa Pílulas Pop – 100 min): Perto de Qualquer Lugar, 4=1, Antes que Seja Tarde, Entrada para o Sucesso, Tarantino’s Mind e filme-surpresa
4h40 – Curta Cinema (Programa Identidades Sexuais – 76min): Seu Próprio Caminho, Tá, Bárbara, O Fim de Semana, O Cineasta Pornô, Frank Vai para Hollywood e Coração de Borracha

| Categoria: Geral

1408

10:10 29/10
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Stephen King é um excelente contador de histórias. Seu grande mérito é não depender de cenários lúgubres ou circunstâncias extraordinárias para criar uma boa e envolvente história de horror. E talvez suas tramas sejam tão arrepiantes justamente por serem ambientadas em cenários urbanos e cotidianos. Mas King também é um dos escritores mais injustiçados pela sétima arte. Apesar da absurda quantidade de adaptações de seus contos e romances, são poucas as que fazem jus ao original. Ironicamente, as melhores transposições vieram daqueles que não têm nada a ver com horror, como foi o caso de Um Sonho de Liberdade, Conta Comigo e À Espera de um Milagre.

1408 é adaptado de um conto de mesmo título que, por sua vez, foi inspirado numa reportagem sobre um quarto mal-assombrado num hotel da Califórnia. Nunca li esse conto específico, mas o enredo do filme guarda diversas semelhanças com uma das obras mais famosas de Stephen King, O Iluminado. Mais uma vez, o horror em sua forma absoluta emanando de um local prosaico, luxuoso até. Só que, em vez do imenso Hotel Overlook, agora tudo se concentra num quarto. Conhecendo o humor peculiar de Stephen King, isso pode até ser algum tipo de piada – hotel inteiro para um romance, apenas um quarto para um conto.

Mike Enslin escreve sobre lugares mal-assombrados, embora ele próprio não acredite em fantasmas. Debochado a ponto de dar cotações em caveirinhas segundo o grau de “assustabilidade†de um local, Mike nunca encontrou evidências reais em nenhum dos locais visitados. Até o dia em que decide ir ao Dolphin Hotel e passar uma noite no supostamente amaldiçoado quarto 1408. O gerente do estabelecimento interditou o quarto há anos e faz de tudo para fazê-lo mudar de idéia, mas Mike está ciente de seus direitos de consumidor e exige ocupar o quarto.

Seguindo um tema recorrente do autor, a força maléfica que comanda o local é como um organismo vivo. O interessante paradoxo da história é o fato do 1408 não ser nocivo por algo feito por humanos – um assassinato, uma morte trágica -, como ocorre na maioria dos longas de terror. Ao contrário, é o Mal, em sua essência, que transforma as pessoas. Esse aspecto é muito interessante, ao menos para quem aprecia histórias de terror e está cansado de menininhas orientais de longos cabelos molhados. Todo o clima no hotel leva a um permanente estado de tensão e antecipação da próxima cena, com destaque para o ótimo embate entre Mike e o gerente do hotel. O filme aposta naquele tipo de suspense que vem do fato do espectador já ter uma idéia do que vai acontecer (alguma dúvida de que Mike vai comer o pão que o diabo amassou dentro do tal 1408?), enquanto o protagonista permanece na santa ignorância. Pior ainda, no descrédito.

O maior acerto de 1408 é ter em cena o tempo inteiro o eficiente John Cusack. Cusack é daqueles atores que conferem credibilidade a um filme, com aquele jeito familiar e largadão que parece o seu melhor amigo dizendo “ei, cara, sou eu quem está contando essa históriaâ€. E você, espectador, acredita nele.

Até certa altura, descontados alguns cacoetes desnecessários do gênero, o filme se desenvolve muito bem. A maior decepção ocorre no momento em que o roteiro cai num dos truques mais preguiçosos sempre que um autor não sabe como explicar o inexplicável. Fiquei furiosa. Mas aí olhei para o relógio e percebi que ainda faltava um bocado de filme. Ufa! Aquilo que estava ocorrendo não era conclusivo. O que vem depois dá uma recuperada e pode até ser engenhoso, mas a essa altura já estava instalada a sensação de interrupção no meu envolvimento com a história. Acabada a projeção, a impressão que fica é a de que 1408 é uma história esticada além do necessário. O que faz sentido se considerarmos que o roteiro foi escrito tendo um pequeno conto como base.

O filme estréia nesta sexta (bem apropriado estrear no dia dos mortos, vocês não acham?).

Ficha de 1408 no Adoro Cinema

| Categoria: Críticas

Justiça a Qualquer Preço

15:18 27/10
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Ando sem paciência com filmes que seguem à risca a fórmula de um gênero. Tudo é tão repetitivo, tão remetente a outros filmes – quase sempre melhores -, que a ausência de qualquer inspiração, qualquer tentativa de fazer algo novo, me incomoda. É o que acontece com Justiça a Qualquer Preço.

Antes mesmo dos créditos iniciais surgirem já se tem uma boa noção do que está por vir: muitos truques de câmera, muita ambientação escura, muito som alto para fabricar sustos e um tema pesado, para dar justificativa a tudo isso. Quem tem alguma bagagem cinematográfica não consegue evitar a associação com O Silêncio dos Inocentes, Beijos que Matam e até mesmo Refém, pela semelhança de estilo e certas cenas. Com bem menos qualidade, claro.

A história também é pouco convincente. Richard Gere interpreta um agente responsável por acompanhar ex-presidiários que foram condenados por crimes sexuais. Prestes a deixar o cargo, ele será substituído pela personagem de Claire Danes, que o acompanha em seus últimos dias de trabalho. Para alguém que se candidatou ao cargo o mínimo que se pode esperar é que tenha sangue frio para encarar as situações que surgem nas investigações. É claro que certas barbaridades afetam até o mais experiente dos agentes, mas o comportamento da personagem de Danes em certos momentos é inaceitável para alguém em sua função. Por mais que o roteiro quisesse dar a entender que ela era inexperiente no assunto, isto deve ser tratado de forma que a própria personagem não se torne incoerente. E é exatamente o que acontece.

Junte-se a isso um final daqueles saídos da cartola, típico de roteirista com preguiça para elaborar um desfecho mais convincente, e temos um suspense fraco, que não intriga e muito clichê. Descartável.

Ficha de Justiça a Qualquer Preço no Adoro Cinema

| Categoria: Críticas

Billy Wilder

15:16 27/10
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Quando o diretor Fernando Trueba subiu no palco da cerimônia do Oscar de 1994, para receber a estatueta de melhor filme estrangeiro por “Seduçãoâ€, disse a seguinte frase:


“Não acredito em Deus, mas acredito em Billy Wilder.â€

Tratava-se de uma reverência a um dos maiores diretores da história. Poucos fizeram tantas pérolas quanto Billy Wilder: Quando Mais Quente Melhor, Crepúsculo dos Deuses, A Montanha dos Sete Abutres, Irma La Douce, O Pecado Mora ao Lado, Se Meu Apartamento Falasse, Testemunha de Acusação, Pacto de Sangue, Farrapo Humano… Em meio a tantos filmes consagrados um de seus trabalhos menores costuma ser esquecido: A Primeira Página. Mas não se enganem, é menor apenas por ser menos conhecido, pois segue o padrão Wilder de qualidade.

Wilder, além de grande diretor, era também um grande roteirista. Conseguia captar como ninguém as nuances de sua época, de forma a trabalhá-las na tela. Em A Primeira Página os temas são a falta de ética no jornalismo, através de um excepcional Walter Matthau, e a predileção ao trabalho em detrimento da vida pessoal, personificado pelo casal Jack Lemmon e Susan Sarandon. Dois temas atualíssimos e que ganham um charme extra por serem situados em uma época não tão corrida, na qual tudo era mais ingênuo e mais sujeito à malandragem. Época perfeita para que Matthau, interpretando Walter Burns, destile veneno e abuse das trapaças para atingir seus objetivos, passando por cima de todos à sua volta.

A Primeira Página é comédia à moda antiga: inteligente, sarcástica, sem qualquer apelação e muito divertida. Algo raro nos dias atuais, especialmente vindo de Hollywood.

Ficha de A Primeira Página no Adoro Cinema

| Categoria: Diretores

Grandes Cenas

10:13 27/10
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Scarlett O’Hara, depois de muito esnobar Rhett Butler, entende que o ama. Mas é tarde demais. Ela corre atrás dele e pergunta o que vai ser dela, se ele a deixar. Butler – ou melhor, Clark Gable – dispara o petardo: “Francamente, minha querida, eu não ligo a mínimaâ€. Osgood, milionário mulherengo, não mede esforços para fazer de Daphne sua enésima esposa. Mas Daphne é Jerry que, após muitas trapalhadas, arranca o disfarce e mostra ao insistente conquistador porque não pode se casar com ele. Sereno, Osgood sentencia: “Ninguém é perfeitoâ€. Rick e Ilsa vão se separar mais uma vez e provavelmente nunca voltarão a se ver. Na neblina do aeroporto, ele tenta convencê-la de que o amor deles não tem futuro com a marcante: “Se você não entrar naquele avião, se arrependerá. Talvez não hoje, nem amanhã, mas logo e pelo resto da sua vida.â€

As cenas citadas acima são, respectivamente, de … E o Vento Levou, Quanto Mais Quente Melhor e Casablanca. Qual a correlação entre elas? São cenas inesquecíveis, que já têm lugar cativo no imaginário coletivo e há muito extrapolaram os limites do filme de origem. A famosa seqüência de Gene Kelly sapateando sob a chuva, embora seja uma das mais empolgantes de todos os tempos, nem faz lá muita diferença para a trama de Cantando na Chuva. Mas é adorada por pessoas que nunca viram o filme e não têm a mínima idéia de seu enredo. Que, diga-se de passagem, é uma verdadeira aula sobre a história da sétima arte, já que detalha todo o processo da transição do cinema mudo para o falado.
O cinema atual também produz todos os dias seqüências memoráveis, embora seja necessário o crivo do tempo para determinar o que vai entrar para a posteridade. Existem alguns exemplos recentes que já se tornaram clássicos indiscutíveis. Destaco três, bem diferentes entre si, mas que já entraram para a história da sétima arte:

Em Cidade de Deus, o personagem Buscapé entende o significado exato do ditado “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come†no instante em que, armado apenas com sua máquina fotográfica, fica exatamente no meio da batalha iminente entre o bando de Zé Pequeno e a polícia. A câmera faz um giro completo e vertiginoso, numa das tomadas mais famosas (e copiadas) dos últimos anos.

I see dead people. A força da confissão sussurrada do pequeno Haley Joel Osment em O Sexto Sentido é tão poderosa que a frase chega a dispensar a tradução “eu vejo gente mortaâ€, sendo prontamente entendida até por quem não fala uma palavra de inglês. Apavorado, exalando fragilidade sob um cobertor, o menino revela o que já sabíamos mas, ainda assim, não queríamos ouvir. O espectador ainda está sob impacto da fala anterior quando vem seu complemento. Com que freqüência isso acontece? All the time (o tempo todo).

Pulp Fiction é um filme repleto de cenas célebres. Mas nenhuma supera John Travolta e Uma Thurman dançando um estranhíssimo twist (ou seja lá o que for aquilo) numa ainda mais estranha lanchonete. Ele, meio balofo e desconjuntado, começa tímido e depois se solta pra valer ao som de You Never Can Tell. Ela, super feminina de terno, esbanja graça e elegância. O gesto do casal de fazer um V com os dedos médio e indicador e passá-los na frente dos olhos é copiado em pistas de dança até hoje.
| Categoria: Geral

O Incrível Noel

10:12 27/10
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Estréia na próxima sexta, dia 2, Noel – Poeta da Vila. Livremente inspirado na biografia escrita por João Máximo e Carlos Didier, o filme faz um apanhado da vida e obra deste fenômeno que foi Noel Rosa. Em apenas sete anos de carreira, o morador mais ilustre de Vila Isabel compôs nada menos que 252 músicas. Inacreditável.

O filme, como obra cinematográfica, não arrisca muito. Mas a história de Noel Rosa, estudante de medicina que jogou tudo para o alto para viver intensamente de música e boemia, é dessas que valem a pena contar. Sem contar a trilha sonora de primeiríssima. Afinal de contas, Noel Rosa pertencia àquela classe de gênio que sempre fazia bonito. Como diz seu pai em uma das cenas “cada vez que você tosse, sai uma poesiaâ€. Para tanto, basta lembrar que sua primeira composição já foi a famosíssima Com que Roupa? Alguns anos depois, encerraria a carreira com a poética e profética Último Desejo, composta em homenagem à dançarina de cabaré que foi sua grande paixão.

Ficha de Noel – Poeta da Vila no Adoro Cinema

| Categoria: Cinema Brasileiro, Críticas

Reclamação – Parte 2

15:19 26/10
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Segue abaixo, na íntegra, a mensagem enviada pela ArcoÃris Cinemas decorrente da reclamação do leitor Miguel Mascarenhas, publicada aqui no blog.

Caro Francisco,

Obrigado por acessar nosso site e freqüentar nossos cinemas.

Gostaríamos de ressaltar que o arcoiris Capitolio não foi vendido.

Mais uma vez, obrigado pelo seu contato. Suas perguntas, opiniões e sugestões são muito importantes pra nós e serão sempre bem vindas. Esperamos tê-lo em breve em uma próxima sessão dos Cinemas Arcoíris/Arcoplex.

| Categoria: Geral