Morte no Funeral

23:24 30/09
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A morte do patriarca reúne toda a família na casa onde vivem Daniel e sua esposa Jane, além de sua mãe. Robert, irmão de Daniel e um escritor famoso, vem de Nova York para o enterro. Diversos familiares e amigos também comparecem. Mas a aparição de um anão que tem ligações até então desconhecidas com o falecido e um frasco de Valium que contém drogas, inseridas por vários dos presentes, geram confusões no local.

A abertura é bacana: através de animação é percorrido um mapa, como se fosse o caminho do caixão até o local do funeral, enquanto os créditos são apresentados. O filme começa bem, com uma ótima piada relacionada a esta animação e a 1ª vítima do frasco de Valium, Simon. Alan Tudyk, seu intérprete, tem cara de louco, o que ajuda bastante nas cenas em que seu personagem delira devido às drogas inseridas. Só que o lado bom do filme termina aqui.

O grande problema de Morte no Funeral é ter uma única boa piada e girar todo o filme em torno dela. A troca de Valium por drogas funciona de início, principalmente pela boa atuação de Tudyk, mas à medida que a situação acontece com outros personagens a idéia perde força e torna-se repetitiva. As demais piadas soam bobas, rasteiras. E ainda há uma, inacreditável, envolvendo tio Alfie, que nem American Pie e derivados tiveram coragem de fazer. Uma piada apelativa, fugindo inclusive do conceito do próprio filme, que em nenhum outro momento as utiliza. Apenas mediano.

Morte no Funeral (Death at a Funeral), de Franl Oz, EUA / UK / Alemanha, 2007, 90′

Mostra Panorama

Nota: 5,0

Snow White: The Sequel

23:23 30/09
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Branca de Neve e o Príncipe Encantado se casaram e foram morar na casa dos sete anões, que agora vivem em sua mina de diamantes. Só que a Fada-Madrinha deseja ter o Príncipe, então elabora um plano para que ele tenha uma noite de amor com ela.

Uma grande brincadeira com os contos de fadas da Disney, especialmente pelo lado ingênuo e puro das histórias. O início, mostrando a noite de núpcias entre Branca de Neve e o Príncipe, já dá o tom deste contraste. Todos os personagens têm seu lado sexual bastante ressaltado, o que gera algumas boas piadas pelo inusitado em vê-los naquela situação. Entretanto, à medida que o filme se desenvolve e estas surpresas terminam, a impressão que fica é que se assiste a uma versão animada de uma comédia adolescente normal, apenas um pouco mais picante.

“Snow White: The Sequel†é um filme de boas idéias, mas sua história não consegue sustentá-las em um bom nível. Chega a provocar gargalhadas de início, mas aos poucos cai de qualidade até um final bastante convencional e até mesmo frustrante. Faltou ser mais anárquico, mais escrachado com a própria história, como é com muitos dos personagens em sua apresentação.

Snow White: The Sequel (idem), de Picha, Bélgica, 2006, 82′ (LEP)

Mostra Midnight Movies

Nota: 6,0

Conversas com meu Jardineiro

23:22 30/09
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Um pintor conhecido decide deixar Paris e morar na antiga casa de seus pais, já falecidos, numa cidade do interior da França. Ao chegar ele coloca um anúncio procurando um jardineiro, para limpar o jardim e organizar uma horta. Um homem se apresenta para o serviço, sendo que ele e o pintor se conheciam desde a infância e não se viam há décadas. É o início de uma grande amizade entre eles.

A velha fórmula do homem da cidade grande que se muda para o interior e lá conhece alguém, com menos instrução, que lhe passa algumas lições de vida. Existem inúmeros filmes que abordam este tema e Conversas com meu Jardineiro não se destaca em relação a qualquer um deles. Um filme convencional ao extremo e que cansa o espectador, justamente por não apresentar absolutamente nada de novo e nem ao menos emocionar. No máximo surge uma simpatia pelos personagens, nada além disto.

Conversas com meu Jardineiro (Dialogue Avec Mon Jardinier), de Jean Becker, França, 2007, 109′ (LP)

Mostra Panorama

Nota: 4,5

Hitler e os Judeus

11:48 30/09
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Muitas vezes, é impossível não ouvir a conversa alheia. Principalmente se a pessoa está exatamente atrás de você e fala demasiadamente alto. Foi o que aconteceu ontem, no Espaço 1, enquanto eu esperava para ver O Búfalo da Noite (muito bom, por sinal). Um senhor falava compulsivamente com um interlocutor inexistente ou envergonhado demais para responder qualquer coisa. Ele iniciou se queixando do ar-condicionado do cinema que, segundo ele, o afastaria do resto do Festival por deixar seu nariz “pingando†(e tome uma longa dissertação sobre os malefícios do frio) e seguiu com um ataque aos filmes do Festival. O crítico de plantão afirmava não ter visto nenhum filme que merecesse nota acima de 3,0 (resta saber quantos filmes ele viu). Para exemplificar, ele começou a falar sobre a farsa que era “A Verídica Verdade Verdadeira sobre Adolf Hitlerâ€. Dizia que o título era enganoso, porque o filme não continha verdade nenhuma (quem não sabia disso?) e mostrava fatos deturpados. Ou seja, o cara não entendeu que aquilo era uma sátira. Nessa hora, as luzes se apagaram para o início da sessão (ufa!) e ele teve que se calar. Não sem antes soltar a última pérola: “isso é filme feito por judeu!â€
| Categoria: Festival do Rio

Déficit

11:47 30/09
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Cristóbal, um jovem mexicano, tem uma vida aparentemente perfeita: é bonito, rico e está prestes a iniciar um curso em Harvard. Num dia ensolarado, reúne os amigos na mansão dos pais para uma festa à beira da piscina. Ao longo do dia, a imagem da perfeição vai se desconstruindo: seu pai é um político corrupto sob investigação, sua irmã mais nova é uma viciada e ele próprio não é o vencedor que quer aparentar. Exibido na Semana da Crítica em Cannes 2007.

O filme tem uma proposta meio Big Brother: reúne vários personagens num mesmo ambiente e vai, aos poucos, revelando quem é quem. E o que percebemos é que estão todos perdidos, confusos e insatisfeitos com suas vidas. Isso fica mais evidente no protagonista, mas também, em menor escala, em todos os demais personagens. A exceção talvez seja a garota argentina, que é a única que parece mais equilibrada.

O problema de Déficit – estréia de Gael García Bernal atrás das câmeras – é que conforme a trama vai ficando mais densa, cria conflitos e gera expectativas que não se realizam. O espectador pressente que aquela fogueira de vaidades se encaminha para culminar em alguma grande explosão, mas esse clímax não se concretiza. O resultado é frustrante.

Déficit (idem), de Gael García Bernal, México, 2007. 75’ (LEP)

Première Latina

Nota: 5,0

| Categoria: Críticas, Festival do Rio

Os Mal-Criados

11:45 30/09
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Stevie é uma garota de 14 anos que faz de sua vida o que bem entende, já que os pais levam uma vida pautada por sexo, drogas e tráfico e não costumam se preocupar com sua criação. A carência afetiva faz com que ela tenha atitudes desesperadas, como se oferecer a um amigo dos pais só porque este lhe dá um mínimo de atenção ou inventar para as meninas da vizinhança uma biografia bem diferente da realidade.

O grande problema de Os Mal-Criados é apresentar um tema batido sob uma perspectiva idem. Quantos filmes já foram feitos mostrando uma adolescente sensível tentando sobreviver a pais desajustados? O futuro de uma menina com Stevie? Isso é pergunta sem resposta. E o longa é mais do mesmo, não difere em nada de outros que se propuseram a enfocar o tema juventude perdida. Ainda assim, é um filme relativamente bem conduzido. Birol Ünel, já visto no bom Contra a Parede, tem presença forte na tela como o pai.

Os Mal-Criados (Die Unerzogenen), de Pia Marais, Alemanha, 2007. 95’ (LEP)

Mostra Expectativa

Nota: 6,0

| Categoria: Críticas, Festival do Rio

Sombras de Goya

11:43 30/09
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O filme retrata um período de cerca de quinze anos do início do século XIX, desde o radicalismo da Inquisição espanhola até a conquista do país pelas tropas de Napoleão e a posterior invasão britânica. Em meio às turbulências políticas e religiosas, o genial pintor Francisco de Goya serve de fio condutor da história. Primeiro quando uma de suas musas, a jovem Inés, é presa e torturada sob uma falsa acusação de heresia. O rígido Frei Lorenzo, também retratado pelo pintor, passa de algoz a perseguido. E Goya, observador atento de seu tempo, retrata em suas gravuras e quadros os horrores da guerra, a brutalidade da Inquisição e, principalmente, os fantasmas que o atormentam.

Um belo filme, ainda que salpicado de deficiências. Dois defeitos mais graves se sobressaem: em primeiro lugar, o título induz a um erro. A trama não é centrada na biografia e trajetória de Goya, ele é apenas uma espécie de narrador (ou testemunha) dos fatos. Em segundo, o roteiro abrange um período cheio de reviravoltas políticas que acabam sendo expostas no longa com uma rapidez que desnorteia o espectador e quebra bastante a narrativa. É como se os personagens fossem deixados de lado por um tempo para situar os inúmeros acontecimentos sociais e políticos.

Mas as falhas citadas acima não desmerecem o filme, dirigido com competência por Milos Forman e belamente interpretado pelo elenco – com destaque para Javier Bardem. Sombras de Goya também merece aplausos por familiarizar a platéia com algumas das grandes obras da época. Não apenas as de Goya, mas também as de outros pintores importantes como O Jardim das Delícias de Bosch e As Meninas de Velasquéz. E uma das melhores seqüências do filme mostra passo-a-passo o processo de confecção de uma gravura. Fascinante.

Sombras de Goya (Goya’s Ghost), de Milos Forman, EUA/Esp, 2006. 117’ (LP)

Mostra Panorama

Nota: 7,5

Ficha no Adoro Cinema

| Categoria: Críticas, Festival do Rio

Amor Fantasma

11:42 30/09
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Uma mulher é vista em algumas situações recorrentes: no seu trabalho num cassino, na cama fazendo sexo com um homem, discutindo ao telefone com a mãe, tentando se comunicar com a irmã em surto psicótico, olhando notícias sobre a guerra do Iraque na TV, etc.

A trama? Não há, meus caros. O filme inteiro se resume a várias repetições, quase idênticas, das cenas citadas acima. Como se não bastasse, também são mostradas algumas outras cenas bizarras, como a protagonista passando por uma cobra enorme no meio de um longo corredor, um polvo (sim, um polvo!) nadando, uma mulher levitando e explodindo no ar… E quando você acha que alguma coisa vai começar a fazer sentido, as mesmas cenas vistas anteriormente começam a passar de novo.

Uma verdadeira tortura. Foi a primeira grande debandada de uma sala de exibição que presenciei este ano. Com mais ou menos quinze minutos de filme, o primeiro espectador se revoltou e deu o pontapé inicial. Depois dele, as outras pessoas perderam a timidez e começou a revoada. Confesso que fiquei tentada a abandonar o barco também, mas resisti. Nem sempre trabalho é prazer… fazer o quê?

O público restante se alternava entre suspiros, bocejos e gargalhadas (não que algo ali fosse engraçado). Na terceira vez que a cobra serpenteando pelo corredor apareceu, uma espectadora não se conteve e disparou: “Ah, morde logo essa mulher pra ver se isso acaba mais rápidoâ€. Ninguém a censurou.

Amor Fantasma (Phantom Love), de Nina Menkes, EUA, 2007. 87’ (LEP)

Mostra Midnight Movies

Nota: 0

| Categoria: Críticas, Festival do Rio

Fados

23:30 29/09
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Uma homenagem ao fado, gênero musical típico de Portugal, através da apresentação de diversos cantores.

Carlos Saura é um diretor do tipo ame ou odeie, especialmente quando faz filmes que tenham por função ser um espetáculo visual, ao invés de contar uma história. Assim foi com Ibéria, Salomé e, parcialmente, Tango. “Fados†segue a mesma linha, mas com uma diferença importante: o lado visual foi deixado bastante de lado, para que os cantores entrassem em cena. Esta decisão foi uma faca de dois gumes. Por um lado as danças e a dramaturgia, o ponto forte dos filmes de Saura neste estilo, praticamente desapareceram. Elas até surgem em alguns momentos, acompanhando as canções, mas são poucos. Por outro lado ganha a trilha sonora, já que o fado possui belas canções. Porém isto faz também com que o filme tenha uma cara de show filmado, pelo preparo técnico existente para cada canção.

Como curiosidade, há a presença de três brasileiros entre os cantores: Toni Garrido, exagerado ao demonstrar sofrimento; Caetano Veloso, afinando bastante a voz e fazendo sotaque português; e Chico Buarque, numa bela canção cuja letra é de sua autoria e também de Ruy Guerra. Um filme interessante, mas não recomendado aos que não gostam deste estilo do diretor ou que não têm ao menos alguma simpatia pelo fado.

Fados (idem), de Carlos Saura, Espanha/Portugal, 2007, 93′

Mostra Panorama

Nota: 5,5

Cristóvão Colombo – O Enigma

23:30 29/09
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Na década de 40 Manuel Luciano da Silva e seu irmão rumam aos Estados Unidos, atendendo ao chamado do pai. Lá Manuel se forma como médico e desenvolve a paixão pelas grandes navegações portuguesas, especialmente pela origem de Cristóvão Colombo. Manuel está convencido de que Colombo era português e, durante mais de 40 anos, tenta encontrar algo que prove isto.

A proposta é interessante, por relembrar o tema das grandes navegações, só que tudo que é mostrado parece uma aula de história, daquelas bem chatas em que o professor fica apenas repetindo nomes e datas para que os alunos decorem. Além disto trata-se de um filme bastante artificial, falso, onde os atores lêem suas falas ao invés de simplesmente interpretarem. Isto fica ainda mais nítido quando a trama dá o salto para os dias atuais, estrelada pelo próprio Manoel de Oliveira e sua esposa, Maria Isabel. Há cenas patéticas, constrangedoras mesmo, pela falta de interação com a arte de atuar.

Quanto à suposição de que Colombo era português, ela é baseada numa possível descendência que é apenas insinuada através de diálogos, sem qualquer apresentação de indícios de que seja verídica. O filme demonstra ainda um certo orgulho português, emanado através da aparição periódica de uma mulher vestida com uma roupa com as cores da bandeira de Portugal, devido ao pioneirismo do país em desbravar os oceanos. Apesar da homenagem, é um filme bastante fraco.

Cristóvão Colombo – O Enigma (idem), de Manoel de Oliveira, Portugal, 2007, 70′ (LEP)

Mostra Panorama

Nota: 2,5

Ficha no Adoro Cinema